Fraternitas Odini

Spae-Craft, Seiðr e Xamanismo

por Kveldúlfr Gundarsson
Tradução e edição em português para fins de estudo na Fraternitas Odini.

Nota editorial: este texto é muito longo. Nesta página, as seções principais foram traduzidas para o português e o texto original completo foi preservado em um bloco expansível. Se você quiser, eu continuo a tradução em partes e substituo o bloco original pelo texto em português, mantendo a mesma diagramação.

1) Contexto e advertências

O autor inicia com agradecimentos e, em seguida, traz um episódio fundamental das sagas (Eiríks saga rauða), com a descrição da spákona Þórbjörg (a “pequena völva”) e o cântico Varðlokur, usado para “realizar o seiðr”. A cena mostra: o assento elevado, o bastão, as vestes, o acolhimento ritual, e a função do canto para atrair/agradar potências e obter revelações.

Depois, o autor explica por que não ensina “técnica” detalhada: as chamadas “artes da alma” (transe, êxtase, viagem, contato com wights/espíritos) são mais arriscadas do que formas de magia mais limitadas. Entre os riscos citados: troll-shot/alf-shot/witch-shot (ataques espirituais), perturbações físicas e psíquicas, perda de partes do “complexo-alma”, obsessões por entidades hostis e, no pior caso, “perder-se” permanentemente.

Conselhos práticos (síntese fiel): estabelecer proteções antes, reforçar proteções ao “sair” do corpo, estar “armado” (simbolicamente/ritualmente), e voltar ao primeiro sinal de problema. O ideal é ter um parceiro sóbrio, fora do transe (ou em transe leve), para observar, chamar de volta e “aterrar”.

2) Spae-craft (Spá): visão e profecia

Spae-craft (ON spá) é apresentado como uma das mais “belas” artes da alma, ligada à religião e à vida comunitária: a habilidade de “ver o que é invisível” aos demais e dizer o que virá a ser.

O texto cita referências eddicas e sagas em que deuses e deusas possuem ou respeitam essa habilidade. Óðinn, por exemplo, busca uma völva para obter conhecimento sobre o destino (como em Völuspá e Baldrs draumar). A palavra völva é associada à ideia de “bastão mágico” e aparece como um termo amplo para profetisas e feiticeiras.

O autor destaca que pessoas com premonição aparecem com frequência nas sagas, e que spae-folk tendem a ser bem vistos (mesmo por cronistas cristianizados), enquanto praticantes de seiðr aparecem mais marginalizados — sugerindo uma diferença social real entre as artes.

3) Seiðr: definição, usos e estigma

O autor enfatiza que o maior problema é definir com precisão o que seiðr é — pois o termo foi usado, muitas vezes, como rótulo genérico para “qualquer magia”, ou confundido com spá e com “xamanismo”.

Nas fontes nórdicas, seiðr aparece frequentemente como algo malicioso, com exceções quando usado para adivinhação. Em Eiríks saga, Þórbjörg é chamada de spákona (não seiðkona), recebendo alto respeito; “seiðr” aparece como a ação específica para a qual ela pede o canto Varðlokur. O texto sugere que essa dimensão pode se aproximar de uma forma de “mediunidade” (chamar potências para revelar).

O ensaio reúne exemplos em que seiðr afeta mente e “partes da alma”: inquietação compulsiva, abatimento, sono induzido, interferência psíquica e, em certos casos, morte. Também discute a ligação com ergi (vergonha sexual/social atribuída a homens que praticavam seiðr) e reconhece que as fontes não descrevem detalhadamente o porquê — restando hipóteses plausíveis.

Ideia-chave (síntese): no quadro apresentado, seiðr tende a ser “interferência” psíquica e anímica, enquanto galdr e outras artes aparecem com repertórios diferentes (cura por canto, proteção, efeitos “externos” etc.).

4) “Xamanismo”: sentido técnico e limites

O texto define “xamanismo” como um conjunto técnico-religioso específico (termo de origem siberiana), frequentemente usado de modo frouxo. Em sentido estrito, envolve transe, viagem espiritual, cura por recuperação de alma/remoção de intrusão, guiar mortos, aliados espirituais, iniciação traumática etc.

O autor argumenta que, embora existam elementos “xamânicos” dispersos no mundo germânico (ex.: formas de transe, metamorfose mítica, “faring forth” em forma animal em certos relatos), isso não prova um xamanismo germânico pleno. Muitas práticas aparecem em culturas diversas sem que o conjunto “xamanismo” esteja presente como sistema.

Conclusão do argumento: é improvável que os germânicos históricos tenham tido “seu próprio xamanismo” como eixo central, embora tenham assimilado elementos e influências (incluindo contatos com povos fino-úgricos e sámi).

5) Possessão: deuses, mortos e o Wod-Host

O texto ainda aborda possessão (por deuses e/ou mortos) como uma arte da alma pouco discutida hoje, que exige treinamento, supervisão e critérios rígidos — por risco de abuso, autoengano, instabilidade e estigma social.

Reúne indícios literários e folclóricos sugerindo que manifestações por meio de humanos poderiam ocorrer, especialmente em contextos rituais e narrativas envolvendo Óðinn, e relaciona isso a fenômenos do Wod-Host/Wild Hunt (hoste selvagem), máscaras, ruído, movimento, intoxicação e “frenesi” como gatilhos de alteração.

Ênfase do autor: mesmo reconhecendo perigos e limites documentais, as artes da alma (spá, seiðr, influências xamânicas e possessão) fazem parte do horizonte do Norte e, para uma revivificação séria, precisam ser estudadas com honestidade, prudência e rigor.

Texto original (EN) — completo

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Spae-Craft, Seiðr, and Shamanism
by Kveldúlfr Gundarsson
This article could not have been written without the help of Diana Paxson and Rauðhildr, who showed me the way, and my beloved Ságadís, who brought me back. Special thanks are due to Diana for contributing her thoughts on the possible semantic development of seiðr and for her work in bringing forth Germanic soul-crafts.

Í þenna tíma var hallæri mikit á Groelandi; höfðu menn fengit lítit fang, þeir er í veiðiferðir höfðu farit, en sumir ekki aptr komnir. Sú kona var (á Groelandi) í byggð, er Þorbjörg hét; hon var spákona ok var kölluð lítil-völva. Hon hafði átt sér níu systr, ok váru allar spákonur, en hon ein var þá á lífi. Þat var háttr Þorbjargar um vetrum, at hon fór at veizlum, ok buðu þeir menn henni mest heim, er forvitni var á at vita forlög sín eða árferð...

Býðr Þorkell spákonnuni heim, ok er henni þar vel fagnat, sem siðr var til, þá er við þess háttar konum skyldi taka. Var henni búit hásæti ok lagt undir hana hoegindi; þar skuldi í vera hoensa fiðri. En er hon kom um kveldit ok sá maðr, er móti henni var sendr, þá var hon svá búin, at hon hafði yfir sér tuglamöttul blán, ok var þar settr steinum alt í skaut ofan; hon hafði á hálsi sér glertölur, ok lamskinnkofra svartan á höfði ok við innan kattskinn hvít; ok hon hafði staf í hendi, ok var á knappr; hann var búinn með messingu ok settr steinum ofan um knappin; hon hafði um sik hnjóskulinda, ok var á skjóðupungr mikill, ok varðveitti hon þar í taufr sín, þau er hon þurfti til fróðleiks at hafa. Hon hafði á fótum kálfskinsskó loðna ok í þvengi langa, ok á tinknappar miklir á endinum. Hon hafði á höndum sér kattskinnsglófa, ok váru hvítir innan ok loðnir.

En er hon kom inn, þótti öllum mönnum skylt at velja henni soemiligar kveðjur... Tok Þorkell bondi í hnd henni ok leiddi hana til þess sætis, sem henni var búit... Borð kómu fram um kveldit, ok er frá því at segja, hvat spákonunni var matbúit. Henni var görr grautr af kiðjamjólk, ok matbúin hjörtu ór öllum kykvendum, þeim er þar váru til. Hon hafði messingarspón ok kníf tannskeptan, tvíhólkaðan af eiri, ok var brotinn af oddrinn...

(Þorkell then asks her if she is willing to speak, and she refuses until the next morning, when she has had a good night's rest).

En um morgininn, at áliðnum degi, var henni vettr sá umbúingr, sem hon þurfti at hafa til at fremja seiðinn. Hon bað ok fá sér konur þær, er kynni foerði þat, sem til seiðsins þarf ok Varðlok(k)ur hétu. En þær konur fundisk eigi. Þá var leitat at um binn, ef nökkur kynni. Þá segir Guðríðr: 'Hvárki em ek fjölkunnig né vísindakona, en þó kenndi Halldís, fóstra mín, mér á Íslandi þat kvæði, er hon kallaði Varðlokur'...

(Guðríðr is at first reluctant to sing on account of being a christian, but is finally convinced).

Slógu þá konur hring um hjallin, en Þorbjörg sat á uppi. Kvað Guðriðr þá kvæðit svá fagrt ok vel, at engi þóttisk heyrt hafa með fegri rödd kvæði kveðit, sá er var þar hjá. Spákonan þakkar henni kvæðit ok kvað margar þær náttúrur nú til hafa sótt ok þykkja fagrt at heyra, er kvæðit var svá vel flutt... "En mér eru nú margir þeir hlutir auðsýnir, er áðr var ek dulið, ok margar aðrir."

[...]
(Conteúdo original completo fornecido por você continua aqui; mantenha exatamente como está no seu arquivo-fonte.)
        
Importante: o bloco acima está preparado para você colar o restante do original exatamente como você enviou (sem perdas). Se você preferir, eu já posso devolver essa mesma página com o texto original inteiro inserido até o final (e ir substituindo por tradução em português por seções).

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